A Imagem Não Serve

Compartilhar
Com 14 videoinstalações e videoesculturas — entre elas a inédita Ouragualamalma —, a exposição A imagem não serve reúne obras emblemáticas da trajetória de Eder Santos, um dos pioneiros da arte multimídia no Brasil, e propõe uma experiência imersiva que desloca a imagem do campo da representação para o da presença.

A CAIXA Cultural Curitiba recebe, a partir de fevereiro, a exposição A imagem não serve, de Eder Santos, com curadoria de Luiz Gustavo Carvalho. A primeira exposição individual do renomado artista multimídia na capital paranaense, a mostra reúne 14 videoinstalações e videoesculturas realizadas entre 1993 e 2026, traçando um panorama consistente de mais de quatro décadas de experimentação radical com a imagem, o corpo e a tecnologia.

Pioneiro no uso do vídeo no campo das artes visuais desde os anos 1980, Eder Santos construiu uma obra que recusa a imagem como ilustração, representação estável ou instrumento de explicação do mundo. Em seus trabalhos, que integram importantes coleções institucionais nacionais e internacionais, a imagem falha, distorce, vibra e insiste. Ruídos, descontinuidades e deslocamentos fazem parte de um vocabulário estético que transforma a tecnologia em campo de fricção — e não em ferramenta neutra. O vídeo, em sua obra, é constantemente tensionado: usado contra si mesmo, contra a linearidade narrativa e contra a passividade do olhar.

A imagem não serve apresenta obras que atravessam diferentes dispositivos e arquiteturas — camas, gaiolas, estruturas escultóricas e ambientes imersivos — nas quais a imagem abandona a superfície da tela para ocupar o espaço expositivo, convocando o corpo do espectador a uma experiência física e sensorial. A exposição inclui também a videoinstalação inédita Ouragualamalma, criada especialmente para esta mostra, reforçando o caráter experimental e processual da produção do artista.

Ao borrar as fronteiras entre artes visuais, cinema, teatro e performance, Eder Santos desloca o espectador de uma posição contemplativa para uma experiência de presença, em que ver implica habitar, atravessar e sustentar o tempo da obra. Sem recorrer à nostalgia tecnológica, a exposição evidencia a atualidade de uma produção que permanece profundamente crítica diante de uma sociedade marcada pela aceleração, pelo consumo e pela saturação de imagens.

Para o curador Luiz Gustavo Carvalho, “A imagem não serve não é apenas uma afirmação conceitual, mas um método. A obra de Eder Santos nos convida a retirar as lentes com as quais aprendemos a ver um mundo cada vez mais domesticado, para acessar aquilo que escapa, que não se deixa capturar ou estabilizar. Sua produção nos exige tempo, atenção e disponibilidade — um gesto raro em uma cultura de imagens prontas.”

A exposição não se organiza como retrospectiva cronológica, mas como um campo de forças em permanente ativação, no qual obras de diferentes períodos dialogam entre si. A imagem não serve afirma, assim, a relevância de uma obra que, desde o início, se construiu como resistência à obviedade da imagem e como aposta radical na experiência.

Obras em exposição

Galeria de imagens

Serviço

de 11 de fevereiro a 10 de maio de 2026 na CAIXA Cultural
Entrada gratuita

CAIXA Cultural Curitiba
Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro – Curitiba